sexta-feira, abril 23, 2004

Recordações III

A revolução dos cravos apanhou-me ainda na Guiné. No momento estávamos já perto de Bissau, numa zona sem guerra, para "acalmar" antes de regressarmos à metrópole.
Quando soubemos da queda do regime ficamos sem saber o que pensar. Os mais esclarecidos, Sargentos, Oficiais, diziam que tinha sido muito bom; mas nós, os praças, não sabíamos quase nada de política e por isso não ficamos muito entusiasmados.
Pouco a pouco fomo-nos apercebendo do real significado de uma revolução e da queda do anterior regime.
Os africanos, esses, estavam eufóricos. Um dia fui à praia e fui só. Quando regressava, a meio do trajecto, um grupo de adéptos do P.A.I.G.C. esperava-me com bandeiras do movimento. Quando os ví pensei que iria ser agredido.
Mesmo assim aproximei-me com o ar mais natural que consegui esboçar e um deles baixou, de forma agressiva, a bandeira bem na frente da minha cara exigindo: "Nosso cabo grite viva o P.A.I.G.C" e eu, sorrindo, disse: "Porque não? e gritei.
Perante isso deixaram-me partir por entre sorrisos.